| Confirmar a exclusão da notícia relacionada: | ||
| Data: | 02/07/2010 | |
| Título: | Juros para compra de carro estão abaixo dos de 2009 | |
| Resumo: | ||
| Últimas altas da Selic não foram suficientes para fazer com que o custo do crédito subisse; de 13 bancos, três elevaram as taxas | ||
| Texto Completo: | ||
As duas últimas altas da taxa básica de juros da economia, a Selic, não foram suficientes para fazer com que o custo, para o consumidor, do financiamento de carros voltasse aos mesmos patamares do ano passado. Levantamento divulgado no site do Banco Central mostra que de 13 bancos e financeiras que emprestam dinheiro para a aquisição de veículos, apenas três subiram suas taxas no final de junho em comparação com o mesmo período de 2009. A Selic funciona como uma referência para todo o sistema de crédito do País. Caso a taxa suba, a tendência é que as instituições financeiras acompanhem esse movimento, cobrando mais caro pelo crédito oferecido aos clientes. Em junho do ano passado, a Selic atingiu o patamar inédito de um dígito: 9,25% ao ano, chegando a 8,75% no mês seguinte. E os juros oferecidos no mercado para o financiamento variavam de 1,52% e 2,07% ao mês. Em 2010, ocorreram duas altas da Selic: 9,5% (28 de abril) e 10,25% (9 de junho). Por outro lado, a maioria das taxas oferecidas era menor do que as praticadas em 2009 e iam de 1,08% a 1,81%. Segundo o professor e especialista em contabilidade da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), José Roberto Kassai, as três instituições financeiras que subiram suas taxas são justamente as que cobravam os menores juros há um ano, com exceção do HSBC, que promoveu uma redução e se mantém entre as menores taxas. No período de um ano, o banco da General Motors, GMAC, alterou sua taxa de 1,52% para 1,75% ao mês. Os juros da Caixa Econômica Federal subiram de 1,56% para 1,58% e do Banco Toyota, de 1,69% para 1,78%. Ajuste Segundo Kassai, pode ter ocorrido um simples ajuste de compensação de seus spreads - diferença entre os juros pagos pelo banco para captar dinheiro e o cobrado dos clientes nos empréstimos. "Seria necessário analisar individualmente a composição do spread de cada uma dessas instituições financeiras, identificando os níveis de alavancagem (relação entre dívida e patrimônio) de seus empréstimos e, principalmente, os níveis de inadimplência, que se destacam em relação aos outros componentes, como lucro, impostos e despesas administrativas, por exemplo", explica o professor da Fipecafi. Atualmente, a taxa média cobrada pelas instituições financeiras, de 1,59% ao mês, é inferior à média praticada há um ano, quando era 1,80%. Na opinião do professor, a situação está coerente com a Selic média atual, de 0,71%. Para a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o Banco Central (BC) deve elevar ainda mais a Selic nas próximas reuniões. A expectativa é que ela encerre o ano em 12,25% e pressione os juros de modo geral. No entanto, o conselheiro da Anefac, Roberto Vertamatti, acredita que o financiamento de automóveis provocará uma situação diferente. "As taxas de juros de financiamento de veículos devem continuar nos mesmos patamares ou até sofrer uma ligeira queda", destaca. A explicação, segundo o conselheiro, está na grande concorrência entre os bancos. "O volume de crédito é bom, a indústria continua produzindo e o mercado precisa vender", acrescenta. Com a grande disputa entre as instituições financeiras, a recomendação de Vertamatti é pesquisar os preços e condições de financiamento nas concessionárias antes da compra. "O consumidor não deve fechar o negócio na primeira oportunidade. Se a empresa não quiser diminuir os juros, ele deve buscar outros diferenciais, como o pagamento de licenciamento ou a instalação de peças e acessórios. O momento é favorável para o cliente", recomenda. Procurados pela reportagem, os bancos Toyota, GM e Caixa não se manifestaram, até o fechamento desta edição, sobre o aumento das taxas de juros no período. |
||