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| Data: | 29/06/2010 | |
| Título: | Desafio das empresas é unir relatorios | |
| Resumo: | ||
| Integrar os relatórios de sustentabilidade com os relatórios anuais de resultados até o ano de 2020. Esse foi o desafio lançado ao mundo corporativo no final do mês passado pelo GRI (Global Reporting Initiative), entidade responsável pelo principal padrão de indicadores de sustentabilidade nas organizações, durante sua conferência encerrada no final do mês passado em Amsterdã, na Holanda. É um desafio ambicioso. Embora cada vez mais parecidos no formato, com séries históricas e metas objetivas e comparáveis entre si, os relatórios ainda pertencem a mundos bastante diferentes. | ||
| Texto Completo: | ||
Enquanto os de resultados prestam contas a um público específico (basicamente acionistas, investidores e analistas do mercado), os de sustentabilidade destacam impactos e ações socioambientais da empresa.
Funciona, assim, como uma prestação de contas mais geral à sociedade.
Para o GRI, o fato de as variáveis socioambientais nas empresas serem ativos cada vez mais valorizados -e tangíveis- no mercado deve acelerar o processo de integração. Aos recursos econômicos e financeiros, somam-se agora os recursos socioambientais.
"Publicar e detalhar esse tipo de capital social e ambiental é uma tendência irreversível, seja por pressão do mercado seja por força da regulação", diz o presidente do GRI, Ernst Ligteringen.
Mais do que integrar relatórios, a proposta do GRI tem como pano de fundo o que para muitos é hoje o maior desafio da sustentabilidade corporativa: conquistar a simpatia do mercado financeiro, onde ainda é tratada, salvo raros investidores institucionais e poucos movimentos setoriais, como um assunto secundário.
Maturidade
"Trazer o mercado financeiro para dentro desse novo entendimento é o próximo grande passo da sustentabilidade. E o fato de estarmos discutindo relatórios integrados, assunto que há cinco ou seis anos não teria qualquer eco, mostra que há maturidade suficiente para isso nas empresas", diz Sônia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa. Quem defende essa aproximação ganhou argumentos importantes nos últimos meses.
Um deles foi a decisão tomada no final de fevereiro pela SEC (Securities Exchange Comission), órgão regulador do mercado norte-americano, de recomendar às empresas listadas que indicassem nos relatórios anuais como estão lidando com as questões das mudanças climáticas. Não somente do ponto de vista dos riscos associados, mas também das oportunidades.
Cobrança
Em linha com a preocupação crescente de bancos e seguradoras, a lista de signatários dos Princípios para o Investimento Responsável, que define princípios socioambientalmente responsáveis na alocação de recursos, também vem engordando.
E conta agora com a participação das Bolsas de Valores, que passaram a cobrar das empresas listadas mais compromissos com as questões de sustentabilidade.
Some-se ainda as discussões sobre aproximação das normas contábeis ao padrão GRI, como a realizada recentemente no Brasil pela Fipecafi e pela FEA-USP, que vêm consolidando a percepção de que a porta de entrada do assunto no mercado será sobretudo a da governança corporativa.
Nenhum evento foi mais dramático e ilustrativo, no entanto, do que o acidente com a plataforma da British Petroleum (BP) no golfo do México, que fez despencar os preços das ações da companhia como em nenhum outro momento de sua história.
E que gerou uma cena curiosa: ao lado de ambientalistas irritados, juntaram-se acionistas e investidores descontentes com o grau de transparência envolvendo a exploração do óleo em águas profundas.
Os primeiros, movidos pelos incalculáveis prejuízos ambientais; os segundos, pelos igualmente incalculáveis prejuízos financeiros.
Dados sobre sustentabilidade atraem pouco
Indicadores de sustentabilidade ainda estão longe de atrair a atenção de investidores e analistas do mercado financeiro local.
É o que mostra uma pesquisa informal realizada pela reportagem da Folha com representantes da área de relações com investidores (RI) de 11 empresas listadas na Bovespa, a Bolsa de Valores brasileira.
"Houve toda uma preparação interna para responder aos temas de sustentabilidade, mas o fato é que recebemos no máximo um ou dois questionamentos por mês relacionados a isso", ilustra o gerente de relações com investidores de um grande banco doméstico.
"A demanda ainda é muito pequena, restrita a um ou a outro fundo de pensão", segundo esse mesmo gerente.
Com pequenas variações, essa foi a resposta padrão dos demais representantes ouvidos pela reportagem.
Sem fotos
Para especialistas, é um cenário que tende a mudar.
"Cada vez mais o representante de RI de uma empresa insere práticas de sustentabilidade em seu discurso de prospecção de investidores, sobretudo na Europa", revela o gerente de projetos da Key Associados, Alexandre Hernandez.
Ele diz acreditar que, em breve, até os relatórios trimestrais de resultado das empresas trarão informações de sustentabilidade.
Essa é uma cobrança que Hernandez considera inevitável, seja ela oriunda do mercado ou do poder público, dentro de um modelo que muitos chamam de "economia verde".
"Quando isso acontecer, os relatórios deixarão de ter fotos grandes e bonitas, de serem peças de marketing socioambiental, e passarão a trazer metas, indicadores e diretrizes objetivas, pelos quais as empresas serão efetivamente cobradas", conclui o gerente de projetos da Key Associados.
"Intangíveis" são o maior desafio das corporações
Quanto vale para uma empresa promover a diversidade de gêneros entre seus funcionários?
E conhecer suas emissões de gases causadores do efeito estufa, traçando políticas de mitigação e adaptação?
Quanto vale para a empresa cuidar de uma área de mata nativa próxima de suas instalações?
Na maior parte dos casos, a resposta a tais perguntas ainda é uma incógnita, ao menos em termos objetivos.
Ao mesmo tempo, esse é o ponto chave para a integração efetiva dos relatórios anuais de resultados e de sustentabilidade, segundo especialistas.
"Trazer esses ativos intangíveis para o mundo dos tangíveis é, sem dúvida, o maior desafio que temos hoje", afirma a diretora de serviços de sustentabilidade da Ernst & Young, Josefa Garzillo.
Ela acredita que a aproximação dos relatórios passará necessariamente pelos indicadores de sustentabilidade que tenham relação mais direta com a área financeira, como o consumo e o tratamento de água ou a gestão de carbono.
Breves
Mercado sustentável Dois sites trazem informações sobre sustentabilidade no mercado financeiro. Um é o do Ceres (www.ceres.org), que reúne investidores. Outro é o da Federação Internacional das Bolsas, que traz as principais ações relacionadas ao tema por parte desses agentes (www.world-exchanges.org/sustainability).
Bicho paulista Qual bicho tem a cara de São Paulo? A Secretaria do Verde e Meio Ambiente quer escolher o animal silvestre que se tornará símbolo e representará a cidade em eventos oficiais no Brasil e no exterior. As votações podem ser feitas até o final de setembro em biodiversidade.prefeitura.sp.gov.br. |
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