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Data:   22/05/2012
Título:   Mercado à vista impulsiona lucro de geradores no ano
     
     
Resumo:
Preço de energia no curto prazo aumentou receita das empresas e elevou o nível de contratação, essa tendência deve se manter ao longo do ano
     
     
Texto Completo:

São Paulo

O cenário de alta no mercado livre de energia no curto prazo que o Brasil tem visto desde o início do ano, resultado do regime de chuvas menos favorável que nos dois últimos anos ajudaram a elevar os lucros das geradoras de eletricidade no primeiro trimestre do ano. Dentre as grandes empresas que já divulgaram seus números entre janeiro  e marco de 2012 a elevação da receita nessa conta está em média  127% mais alto do que o registrado no ano passado. Em comum, o maior volume de compras, incentivados pelo baixo preço do ano passado e, principalmente, pela repentina elevação dos preços a partir de março e cuja tendência é de permanecer alto pelos próximos meses.

Para a Copel, o aumento da receita com a venda de energia no mercado de curto prazo avançou 57,2%, para R$ 77 milhões, já na Companhia Energética de São Paulo (Cesp) o aumento foi de 129%, passando de R$ 51,7 milhões para R$ 18,8 milhões. Na mineira Cemig, o crescimento verificado foi de 27%, passou para R$ 550 milhões, na AES Tietê subiu 163%, mas nenhuma bateu a Tractebel que avançou 262%, passando de R$ 16,1 milhões para R$ 58,3 milhões, e isso, somente nos três primeiros meses de 2012 em comparação com mesmo período de 2011.

Esse fator, disse o presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Mauro Arce, é o resultado do índice de afluência abaixo da média e o baixo nível dos reservatórios do sul do País. Ele disse que, com esse cenário, aumentou a geração de energia da empresa para atender a necessidade da Região Sul e, ao mesmo tempo, via os reservatórios do submercado formado pelas Regiões Sudeste e Centro-Oeste caírem 10% em comparação com o mesmo período do ano passado.

“As chuvas de fevereiro e março vieram reduzidas e isso fez com que o nível dos reservatórios baixassem. Nesse mês, o nível está em 75% da capacidade,  no ano passado, nesse mesmo período o nível estava 85% da capacidade”, afirmou Arce em teleconferência sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre do ano.

Para o executivo, a tendência do mercado é de que o Preço da Liquidação das Diferenças (PLD), utilizado para balizar os contratos de energia no curto prazo e no mercado à vista, continue a escalada. De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia (CCEE), a média do PLD em abril ficou em R$ 192,70 MWh no Sudeste-Centro-Oeste, R$ 195,75 no Sul e R$ 182,68 nas regiões Norte e Nordeste. Nesse mesmo mês no ano passado, o valor estava em R$ 12,20 o MWh para todo o País. Já para esta semana, o preço da energia voltou a subir em relação à semana passada e alcançou R$ 190 MWh.

Essa elevação de preços tem levado a um efeito psicológico positivo para o setor de geração de energia. De acordo com o CFO da Copel, as seguidas elevações de preços do mercado à vista têm ajudado a  companhia a elevar a contratação junto ao mercado livre. “No final do terceiro trimestre do ano passado tínhamos 20% de nossa energia disponível, fechamos março com apenas 13,7%. Somos beneficiados com o PLD alto e hoje estamos colocando essa energia ao mercado livre com preços que variam entre R$ 90 a R$ 110 MWh”, afirmou o executivo da Copel. Antes, disse ele, o preço do insumo não era negociado acima de R$ 77 o MWh.

Para a AES Tietê, empresa do grupo AES Brasil, a receita bruta faturada por meio da CCEE registrou um aumento de 163,4% na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o de 2011, basicamente, explicou a empresa, em função do maior volume e dos maiores preços praticados no mercado spot. O volume de energia nesse mesmo período aumentou 80,6%, devido ao incremento do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE).

Já a catarinense Tractebel, atribuiu o crescimento do lucro líquido a diversos fatores, entre eles a elevação do preço médio líquido de venda, resultado positivo obtido com o início da operação comercial da Usina Hidrelétrica Estreito, maior volume de transações de compras de energia para revenda e o aumento do resultado positivo nas transações realizadas no âmbito da CCEE que ficou R$ 42,2 milhões acima do registrado no ano passado.

Investimentos Copel

O executivo da empresa paranaense disse na sexta feira que os investimentos da empresa no ano não devem ser integralmente aplicados em 2012. No primeiro trimestre o aporte da estatal ficou em R$ 378,7 milhões. Ele estimou um valor entre 85% e 90% do total indicado como o Capex da empresa para este ano que foi estabelecido em  R$ 2,2 bilhões. Distribuição deverá ficar com R$ 1 bilhão, a outra metade destina-se aos projetos em transmissão que somam cerca de três mil quilômetros e aos aportes em geração, composto por usinas hidrelétricas como Colíder (MT) e a de Mauá, cuja operação está prevista para ocorrer ainda este ano.

Renovações

O presidente da Cesp Mauro Arce calculou em torno de 6% a redução da tarifa com o vencimento das concessões previstas para até o ano de 2015.