| SÃO PAULO - A captação líquida das carteiras de previdência privada cresceu 18% no primeiro semestre de 2010, em comparação com o mesmo período do ano passado, e colaborou para aumentar o lucro das instituições financeiras.
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Líder no setor, a Brasilprev, ligada ao Banco do Brasil, registrou crescimento em seu lucro líquido pouco acima dessa média de mercado. O resultado da Brasilprev cresceu 19,5% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2009, a R$ 138,1 milhões.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a captação líquida dos fundos de previdência alcançou R$ 7,31 bilhões no primeiro semestre e atingiu R$ 162,26 bilhões em patrimônio líquido ao fim de junho.
"Ao término do semestre, a gestão de recursos da Brasilprev atingiu R$ 30,8 bilhões em patrimônio, valor 32,2% superior ao mesmo período de 2009", exemplificou o diretor de Planejamento e Controle da Brasilprev, Alejandro Elizondo Rodríguez.
"O mercado deve continuar crescendo no segundo semestre, sobretudo em captação líquida", prevê Rodríguez, referindo-se ao fato de as aplicações superarem os resgates das carteiras.
"Na Brasilprev, o índice de resgates é de 8%, inferior a média de 12,1% do mercado", informa Rodríguez.
Sazonalmente, o primeiro semestre de 2010 não foi tão forte em captação líquida como o segundo semestre de 2009 (R$ 16,83 bilhões), segundo informou o boletim da Anbima.
A Brasilprev trabalha, assim como as demais instituições, com os dois principais tipos de fundo de previdência, o Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL) e Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) e mantém o processo de migração dos antigos fundos de benefícios definidos para as carteiras atuais.
Segundo a instituição, o VGBL (48% da carteira) arrecadou R$ 3,1 bilhões no primeiro semestre, com crescimento de 73,3% em relação ao ano anterior, registrando 19,6% de participação de mercado nessa modalidade.
Já o PGBL (39% da carteira) da Brasilprev cresceu 13,9% no mesmo período, alcançando R$ 705,8 milhões em arrecadação e 27,5% de market share.
O balanço divulgado informa que o antigo fundo tradicional (13% da carteira) de benefícios definidos recuou 15%, de R$ 260,4 milhões em junho de 2009 para R$ 221,2 milhões em junho de 2010.
"A carteira tradicional faz muitos anos que não é mais comercializada, e tende a ser extinta à medida que os resgates vão acontecendo", explicou Rodríguez.
O diretor aponta a que produtos dinâmicos estão atraindo os poupadores de longo prazo. "Os fundos Ciclo de Vida ajustam a composição de renda fixa e variável e por isso estão atraindo novos poupadores. Esse produto atraiu R$ 700 milhões em captação no semestre", informou.
Segundo o balanço da instituição, a expectativa da Brasilprev é que em dezembro de 2010 este produto totalize R$ 3 bilhões em patrimônio.
"Alcançamos 1 milhão e 250 mil clientes e buscamos a liderança desse mercado", informou Rodríguez ao citar que o Bradesco é seu principal concorrente neste segmento.
A Bradesco Seguros e Previdência informou por meio de sua assessoria que a carteira de Vida, VGBL e Previdência havia avançado 17,8% no semestre e registrou R$ 852 milhões de lucro líquido frente aos R$ 723 milhões apurados no período de 2009.
O Itaú Unibanco informou em seu último balanço trimestral que o lucro líquido da área de vida e previdência cresceu 11,9% e atingiu R$ 236 milhões, em comparação com o trimestre anterior.
Ou seja, no semestre, o Itaú Unibanco já garantiu R$ 444 milhões de lucro líquido em vida e previdência.
Segundo o balanço do Itaú Unibanco, as contribuições dos planos de previdência alcançaram R$ 1,9 bilhão no segundo trimestre. Já as provisões técnicas para o segmento totalizaram R$ 46,189 bilhões ao final do segundo trimestre.
O Santander Brasil apontou em seu último balanço trimestral que a carteira de PGBL e VGBL cresceu 3,5% no segundo trimestre e totalizou R$ 14,7 bilhões em recursos frente aos R$ 14,2 bilhões finalizados em março.
O balanço do Santander também informou que o lucro antes de impostos da gestão de recursos de terceiros e seguros atingiu R$ 393 milhões no primeiro semestre de 2010, resultado 289% maior que o mesmo período do ano anterior.
O superintendente de produtos e previdência do Santander, Richard Michael, informou ao DCI que a carteira de participantes alcançou 320 mil clientes.
"Nossa captação foi pela ordem: R$ 79,72 milhões no tradicional; R$ 148,30 milhões em PGBL e R$ 1,41 bilhão em VGBL, totalizando R$ 1,64 bilhão no primeiro trimestre", calculou Richard Minchel, superintendente do de previdência do Santander.
A crise financeira mundial parece passar longe do mercado de previdência privada. A captação líquida das carteiras das entidades que atuam no setor cresceu 18% no primeiro semestre de 2010, em comparação com o mesmo período do ano passado, e colaborou para aumentar o lucro das instituições financeiras.
Líder no setor, a Brasilprev, ligada ao Banco do Brasil, registrou crescimento de 19,5% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2009, a R$ 138,1 milhões. Por sua vez, no primeiro semestre, o Santander apresentou aumento de 289% do lucro da sua área de seguros e previdência, que chegou a R$ 393 milhões. |