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Data:   08/07/2011
Título:   Estrangeiro fecha junho com saldo negativo em R$ 344 milhões
     
     
Resumo:
No mesmo mês em que o não residente minimizou sua saída do mercado, a participação da pessoa física caiu para 20,9%, contra média de 26,5% em 2010 - São Paulo
     
     
Texto Completo:

O investidor estrangeiro mostra sinais de que não vai demorar a voltar a investir no mercado acionário brasileiro. De acordo com dados da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa) referentes ao mês de junho, o saldo de aplicações dos não residentes fechou no negativo, com saída de R$ 344 milhões.

O primeiro semestre de 2011 foi complicado para o mercado, já que a crise na Grécia afetou a confiança do estrangeiro. Este investidor encerrou com saldo positivo no primeiro mês do ano; entretanto, registrou saídas de mais de R$ 1 bilhão nos três meses seguintes. Em maio, o estrangeiro voltou com quase R$ 3 bilhões. Com isso, o período encerrou no vermelho em R$ 1,004 bilhão.

"O investidor estrangeiro está mostrando que já estamos perto da retomada dos investimentos. Não é possível precisar quando o dinheiro vai voltar, mas o saldo negativo de junho foi muito pequeno", explica José Góes, consultor econômico da WinTrade, home broker da Alpes Corretora.

Recentemente, o presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, em entrevista concedida ao DCI, afirmou que o primeiro semestre foi trágico. "Nós ainda dependemos muito dos recursos dos investidores estrangeiros e a crise na Grécia afastou o investidor", disse Edemir.

Góes acrescenta que já saiu muito dinheiro do mercado brasileiro no primeiro semestre, tornando o preço das ações das companhias bem atrativo. "Os papéis chegaram a um patamar que é considerado barato", diz.

Outro dado que chamou a atenção foi a baixa movimentação no mercado das pessoas físicas. A participação em junho ficou em apenas 20,9%, contra uma média de 26,5% em 2010. No ano, a fatia deste investidor está em 12,8%. "A pessoa física está com medo da volatilidade da Bolsa. Ainda tivemos um desempenho muito fraco das ações da Petrobras", destaca o consultor.

No destaque da BM&F Bovespa para junho está o número de negócios com os Exchange Traded Funds (ETF) - que são fundos de índices da Bolsa. Os oito ETFs negociados no mercado totalizaram 25.701 negócios, em junho, ante 24.898 em maio. O volume financeiro encerrou o mês em R$ 598,43 milhões, ante montante de R$ 617,11 milhões em maio.

"Este é um excelente produto. É possivel comprar ações de empresas de um setor inteiro da economia brasileira com um valor mais baixo. Com isso, é possível encontrar boas oportunidades", acrescenta o consultor.

Outro destaque citado pela BM&F Bovespa foi no crescente número de clubes de investimento. Em junho, foram abertos 13 novos clubes, totalizando 2.939 registros. Até o final de maio, o patrimônio líquido era de R$ 10,67 bilhões e o número de cotistas estava em 125.638, conforme os últimos dados disponíveis.

O especialista da WinTrade lembra que, recentemente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), alterou a regra para os clubes, já que existiam muitos fundos de investimento se passando por clubes, com isso, o quantidade foi drasticamente reduzida. "As mudanças da CVM acabaram com muitos clubes", revela Góes.

O segmento Bovespa da Bolsa de Valores obteve movimentação de R$ 124,19 bilhões em junho, queda de 7% em relação aos R$ 133,60 bilhões registrados no mês anterior. Foram realizados 10.187.883 negócios no mês passado, recuo de 8,8% na comparação com o mês anterior, quando houve 11.172.707 negócios.

O volume médio diário foi de R$ 5,91 bilhões no mês passado, uma retração de 2,63% em comparação à média de R$ 6,07 bilhões de maio. Já a média diária de negócios atingiu 485.137 no mês passado, registrando queda de 4,47%, contra 507.850 de maio.

Em junho, os mercados do segmento BM&F totalizaram 51.023.956 contratos negociados, alta de 5,55% em relação ao mês anterior, quando foram negociados 48.342.782. O volume financeiro foi de R$ 3,25 trilhões, ante R$ 3,18 trilhões em maio, representando elevação de 2,2%. A média diária de contratos negociados foi de 2.429.712 em junho, ante 2.197.399 em maio. Ao final do último pregão de junho, o número dos contratos em aberto foi de 43.343.347, ante 38.609.738 em maio.

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