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Data:   25/06/2010
Título:   Fundo do FGTS muda o foco
     
     
Resumo:
tornou sócio de uma dezena de empresas ao adquirir R$ 3 bilhões em ações. A maior parte dos recursos foi destinada a companhias de energia. Em vários casos, as empresas passavam por dificuldades. Mas as prioridades do fundo mudaram. Segundo o vice-presidente de gestão de recursos de terceiros da Caixa Econômica Federal, Bolívar Tarragó, a meta para o segundo semestre é a compra de debêntures de empresas privadas, principalmente dos setores de saneamento e logística. O Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI FGTS ) vai direcionar seus recursos para a compra de debêntures privadas no segundo semestre e diminuir a aquisição de participação em empresas. Segundo o vice-presidente de gestão de recursos de terceiros da Caixa Econômica Federal, Bolívar Tarragó, o setor de energia que domina hoje a carteira também deixará de ser o foco e os setores de saneamento e logística vão ter preferência. Em menos de dois anos, o fundo já se tornou sócio de uma dezena de empresas ao comprar R$ 3 bilhões em ações, destinados na maior parte para empresas de energia. Algumas, inclusive, passavam por série dificuldade financeira quando buscaram o fundo, como aconteceu mais recentemente com o Rede Energia.
     
     
Texto Completo:

30 bilhões no auge da crise.

Mas o foco em emissão de dívida não significa que o fundo deixará de participar de importantes aquisições no setor de energia. A ideia é usar as empresas onde o fundo tem participação. Só em empresas de geração de energia, o FI FGTS já é sócio de mais de sete mil meagawatts de usinas em construção. Entre elas estão a Nova Cibe Participações, dos grupos Bertin e Equipav, e da J. Malucelli. Tanto Bertin como J. Malucelli fazem parte do consórcio vencedor da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Tarragó não fala sobre a possibilidade de o fundo entrar em Belo Monte, mas como o Valor já informou, o FI FGTS vai participar do projeto justamente pela empresa J. Malucelli.

A carteira do FI FGTS já está em sua maior parte alocada em debêntures. Até março desse ano, chegava a R$ 11 bilhões, mas a maior parte referentes a emissões feitas entre o final de 2008 e início de 2009. Logo em sua estreia, em meados de 2008, foram cerca de R$ 7 bilhões usados para a compra de debêntures de emissão do BNDES, com rendimento de Taxa Referencial mais 6% ao ano. O objetivo era dar liquidez ao mercado que sofria com a crise financeira. Mas as empresas privadas também receberam fortes aportes diretos. Foi o caso de Usiminas, CCR, ALL, Ferronorte .

O vice-presidente de gestão de terceiros da Caixa Econômico Federal, que administra o fundo, Bolívar Tarragó, diz que o fundo já está muito concentrado em energia e por isso precisa buscar diversificação. O setor de saneamento é muito visado pelo fundo em função do projeto Minha Casa, Minha Vida que vai exigir grandes investimentos em saneamento. O fundo já é sócio de uma empresa de saneamento, a Foz do Brasil que pertence ao grupo Odebrecht e recebeu um aporte de R$ 641 milhões. A Odebrecht tem sido um sócio recorrente do FI FGTS. O fundo também é sócio de Santo Antônio, onde a Odebrecht é uma das principais acionistas e também da Embraport, de terminais portuários, que recebeu R$ 475 milhões do fundo.

Os setores de transporte e logística também devem ter maior atenção do fundo. Mas o maior desafio do fundo é a abertura para novas captações de quem desejar aplicar seu FGTS no fundo. O processo está ainda sendo estudado junto com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O problema principal é a falta de liquidez já que os recursos estão aplicados em ativos de pouca liquidez. Muitos deles sem ter uma marcação a mercado eficaz.

Isso porque boa parte das empresas ainda são pré-operacionais e também porque as debêntures na carteira do fundo tem longo prazo de vencimento e nenhum mercado secundário. Esse seria um dos motivos para o FI FGTS render hoje menos que a poupança. De acordo com relatório enviado à CVM, em 2009 o fundo rendeu apenas 6,6%. Levando em conta a Taxa Referencial do primeiro dia de cada mês, a poupança rendeu no mesmo período 6,75%.

No ano passado, a Controladoria Geral da União fez diversas ressalvas na auditoria das demonstrações financeiras do exercício de 2008. Entre as inconsistências apontadas pela controladoria estavam a contabilização dos ativos, a inexistência de gerenciamento de risco para ativos não cotados em bolsa, pagamento de taxa de administração considerada acima da média do mercado à CEF, gestora da carteira, e investimento em ativos de baixa rentabilidade.