Notícias - Detalhes

Data:   25/06/2010
Título:   Mercado de cartões vive "nova era" de competição
     
     
Resumo:
O mercado de cartões, que cresce 20% ao ano no Brasil e contabiliza 592 milhões de unidades emitidas, passará por uma mudança histórica na semana que vem: a partir de 1.º de julho, as credenciadoras Cielo e Redecard vão aceitar, nas mesmas máquinas, cartões Visa e Mastercard, que representam 85% das operações com cartões no País.
     
     
Texto Completo:

Para manter os clientes, que ao longo do tempo deverão optar por manter uma só máquina, Cielo e Redecard dizem apostar na introdução de novas tecnologias – como pagamento por celular – e em vantagens econômicas, como a redução do valor retirado do faturamento do varejista a cada operação. Hoje, segundo as empresa, a taxa vai de 2,5% a 3% na modalidade crédito.

Além de perderem a exclusividade, Cielo e Redecard enfrentarão um desafio adicional: a entrada de novas empresas no mercado, como a parceria entre Santander e GetNet. Fontes de mercado dizem que o novo desenho de concorrência permitirá também o surgimento de credenciadoras regionais, nos moldes da Hipercard, pertencente ao Itaú.

Para o lojista, a mudança será positiva: ele vai economizar porque poderá ter um só terminal – até o momento, se quisesse aceitar os cartões de crédito e débito da Mastercard e da Visa, teria de pagar duas máquinas. A Redecard, por exemplo, cobra aluguel mensal de R$ 60 a R$ 120 por terminal. "A mudança reduzirá custos. Vai ser uma guerra no bom sentido", afirma o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, entidade que reúne varejistas de shopping centers.

Devolução.

As credenciadoras Redecard e Cielo, que respectivamente têm 1 milhão e 1,6 milhão de máquinas no País, dizem que todas os terminais serão "multicartão" até o dia 1.º. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Paulo Rogério Cafarelli, haverá um processo de devolução de máquinas, que passarão a ter a mesma função. "A tendência é que o lojista escolha uma adquirente."

Para garantir a preferência do varejista, o presidente da Redecard, Roberto Medeiros, afirma que a empresa aposta na antecipação dos recebíveis – o que ajuda no capital de giro dos lojistas. Além disso, o executivo diz que a empresa tem uma equipe que se dedica somente à inovação do produto. No Nordeste, um software permite que o pagamento de entregas seja feito pelo celular. A empresa também reforça o fornecimento de máquinas com tecnologia sem fio para o mercado de delivery.

O vice-presidente de relações com o investidor da Cielo, Marcos Grodetzky, afirma que a empresa está interessada em novos mercados: ampliou a atuação entre profissionais da área médica, está de olho no potencial dos taxistas e busca novas formas de captar as operações de baixo valor. Em lojas da rede Starbucks, por exemplo, a credenciadora já oferece o pagamento com a simples aproximação do cartão a um terminal. "O importante é a rapidez, para que o cliente ache mais fácil usar o cartão do que o dinheiro", diz o executivo.

Embora a maior parte do mercado afirme que haverá devolução de máquinas, o vice-presidente da Cielo diz não acreditar em redução "neste momento". O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Júnior, afirma que uma das estratégias das companhias no momento é fidelizar o comerciante ao fazê-lo optar por uma bandeira específica, ainda que as máquinas efetuem transações de todas. Ao ser "fidelizado", o lojista fica preso a um período de carência de um a dois anos.

Reclamações

O Banco Central (BC) afirmou quinta-feira que trabalha para reduzir o número de tarifas dos clientes de cartões de crédito, setor "campeão" em reclamações do consumidor, segundo o Ministério da Justiça. Uma das propostas é a redução do número de tarifas, que a associação do setor admite limitar a 20 ou 30, embora o governo ache que a quantidade deve ser menor, para reduzir a confusão do consumidor. A alteração terá de passar pelo crivo do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Fonte: Economia & Negócios - O Estado de São Paulo - 24/06/2010