"O crescimento de 30% das exportações brasileiras para o Canadá está acima da média brasileira, o que mostra o potencial de crescimento neste intercâmbio comercial", declarou o secretário ao referir a recuperação de 29,9% das exportações brasileiras ao Canadá nesse ano, que alcançou US$ 1,35 bilhão até agosto.
De acordo com dados do Mdic, o comércio entre os dois países já foi maior, mas recuou 34,7% com a crise econômica mundial, de US$ 5,07 bilhões em 2008 para US$ 3,31 bilhões em 2009. Até agosto desse ano, registra corrente de US$ 3 bilhões.
O diretor da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Roberto Segatto, lembrou que as exportações brasileiras ao Canadá registraram pico de US$ 2,36 bilhões em 2007. "Essa corrente comercial ainda é muito pequena perto do potencial que existe. É possível multiplicar esse potencial em até 10 vezes", avalia Segatto.
É em busca desse potencial que a missão comercial brasileira busca fomentar negócios em diversos setores.
Entre as atividades realizadas ontem em Toronto, a chefe do Setor de Promoção Comercial do Consulado-Geral do Brasil em Toronto, Wanja Campos da Nóbrega, fez uma apresentação com diversas informações sobre o mercado canadense.
Ela listou aos empresários brasileiros os setores com maiores oportunidades para negócios no País, como calçados de couro, roupas de banho e esporte, pedras preciosas e semipreciosas, bijuterias, pedras de cantaria ou de construção, softwares, vinhos e móveis.
Durante o encontro da delegação brasileira, a representante regional do Escritório de Facilitação do Comércio (TFO) do governo do Canadá, Alma Farias, disse que a importação per capita no Canadá (US$ 13 mil) é o dobro da americana (US$ 6,5 mil), para ressaltar a abertura de mercado.
Alma Farias ressaltou ainda que apenas 3% das importações canadenses são provenientes da América Latina, com exceção do México, enquanto que Estados Unidos e México representam 59% das vendas, Ásia, 20% e União Européia, 13%. "Por isso, estou certa de que há grande potencial de crescimento para as vendas brasileiras", avaliou a representante canadense.
Em sentido contrário, o do interesse dos brasileiros no Canadá, a Abracex apontou para abertura no segmento de máquinas e equipamentos industriais. "A importação de máquinas para fomentar nossa inovação tecnológica ainda é muita cara. Há incidência de até 40% em impostos e ainda se exige um exame de similaridade nacional, precisamos melhorar os critérios para a entrada desses equipamentos", considerou Segatto.
Segundo o diretor da Abracex, a pauta de importação do Canadá não é diversificada. "Importamos adubos, carvão, papel jornal, produtos farmacêuticos e alguns minerais", comentou Segatto.
O diretor tem razão, no último relatório do Mdic, os 5 principais produtos adquiridos até agosto foram: cloreto de potássio com US$ 262 milhões; vacina contra gripe com US$ 257 milhões; hulha betuminosa com US$ 201 milhões; papel jornal com US$ 115 milhões e turborreatores com US$ 51 milhões.
No sentido inverso, os 5 principais produtos exportados até agosto pelo Brasil foram: alumina calcinada com US$ 380 milhões; petróleo bruto com US$ 167 milhões; açúcar de cana com US$ 135 milhões; café com US$ 41 milhões e congelados de frango com US$ 31 milhões.
"É pouco. As oportunidades para o exportador estão em cerâmica, couro e calçados, veículos e autopeças e produtos químicos", detalha Segatto, da Abracex.
Números
Nos primeiros oito meses do ano, a participação das exportações para o Canadá no total brasileiro subiu de 1,06% para 1,07%.
Ao passo que a participação do Canadá nas importações totais do Brasil passou de 1,28% para 1,5%. Esse impulso ocorreu porque as importações de produtos canadenses cresceram 70,9%, no mesmo período, e ficaram em US$ 1,7 bilhão.
No acumulado do ano, a balança comercial entre os dois países apresentou saldo negativo para Brasil de US$ 363 milhões, bem diferente do superávit de US$ 37 milhões em 2009. |