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Data:   20/08/2010
Título:   BB finaliza reorganização no setor de seguros
     
     
Resumo:
SÃO PAULO - "A participação da área de seguros era muito aquém do potencial do banco", garante o vice-presidente de Novos Negócios do Banco do Brasil (BB), Paulo Caffarelli. Depois dessa conclusão, um ano e quatro meses depois do começo da reformulação da área, o maior banco brasileiro termina o redesenho desse segmento. A última cartada foi a parceria com a Odontoprev.
     
     
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O último elo para fechar a reestruturação do setor de seguros era a parte de odontologia. "Podemos criar ou comprar um pedaço de uma empresa especializada no setor, depende do negócio que fizermos", havia antecipado Caffarelli na terça-feira, quando o banco apresentou seu balanço.

Ao todo, foram consultadas 11 empresas do ramo odontológico para completar a reorganização. "Queríamos nos desfazer do braço de saúde e focar em odontologia. Hoje, apenas 7% da população brasileira têm este tipo de cobertura. O crescimento do setor gira na casa de 19% ao ano."

O Banco do Brasil assinou memorando de entendimento com a Odontoprev, que é controlada pelo Bradesco e pela ZNT Participações. Pelo acordo, de um lado, o BB deverá ter 10% da holding que controla a Odontoprev.

Do outro, o banco estatal cria a BB Dental (nome provisório) para funcionários e pensionistas. No caso, a Odontoprev terá 25% da participação na nova empresa, correspondentes a 50,01% do capital votante; os outros 75% ficarão com o BB Seguros. A porcentagem dá direito de 49,99% do capital votante da nova empresa e de 100% do capital não votante.

O diretor presidente da Odontoprev, Randal Zanetti, destacou que a nova empresa do BB pode acrescentar mais 3,5 milhões de clientes à base da Odontoprev em cinco anos. Hoje a empresa de odontologia tem 1,4 milhão de clientes. "Já nos preparamos para atingir escala global, lembrando que existe um braço da empresa no México", destacou.

A distribuição dos contratos de serviços se dará pelo banco IBI, que foi recentemente adquirido pelo Bradesco.

Paulo Caffarelli não descartou que os serviços odontológicos possam ser disseminados pela América Latina. "Podemos colocar o serviço no Banco Patagonia, na África- com a parceria entre os bancos Bradesco, BB e Espírito Santo [na semana passada os grupos firmaram parceria para ampliar a participação naquele continente]", ressaltou.

Os planos de expansão podem incluir aquisições de bandeiras menores e regionais. Segundo Zanetti, compras não serão descartadas. "Temos grande geração de caixa e não precisariamos recorrer a mercado para comprar."

Os executivos das empresas afirmaram que a maior contribuição do BB, além da base de clientes, é a capilaridade das mais de 5 mil agências e 18. 884 pontos de atendimento, 53 milhões de clientes.

Reestrutura

O BB, ao analisar sua atuação em seguros, concluiu que não era possível concorrer com parceiros. "Faz sentido aumentar a participação nas empresas. Não é vantajoso ter 50% na área de previdência social e de capitalização", ressaltou Paulo Caffarelli.

O primeiro passo para redesenhar a área de seguros do BB foi aumentar a participação na Brasilprev para 75%. O restante ficou com a empresa parceira - Principal. Caffarelli lembra ainda que área de saúde foi vendida à Sul América por R$ 28, 4 milhões, em negociação ocorrida em maio.

Outra área que sofreu mudanças dentro do banco foi a de seguridade de veículos. O banco, atraves da bandeira Brasil Veículos, tenta solidificar a parceria com a seguradora espanhola Mapfre "É o movimento mais complexo em que constituímos duas empresas: uma é voltada para veículos e outra para vida e prestamista (agronegócio, imobiliário)."

No ramo de títulos de capitalização, o BB se juntou à Icatu. A exemplo do que aconteceu com a Principal, a Icatu ficará com 25% da operação e o BB com 75%. Antes o banco detinha 50% das posições. "Estamos adquirindo a parte da Sulacap e da Aliança da Bahia", explicou o executivo.

O lucro da área de seguros ficou em R$ 297,7 milhões no segundo trimestre deste ano, expansão de 5,6% ante o mesmo período do ano passado. A área respondeu por 12,8% do lucro total do BB.

IRB

Outro passo que o Banco do Brasil pode dar na área de seguros é comprar de 20% a 40% dos ativos da IRB-Brasil Re, a maior resseguradora da América Latina. De acordo com o vice-presidente de Novos Negócios do BB, Paulo Caffarelli, o BNDES, a pedido do Tesouro, avalia o preço da empresa.